Isso também sou eu

O coração dela havia batido por alguém durante todo aquele ano – alguém que não era ele. Ela nunca o desejou, mas desejava o que se sente quando se é desejada.
     

Ontem meu passado veio me visitar

Ontem meu passado veio me visitar. Ele vestia preto e estava lindo e excitante, no sentido mais estrito da palavra, como sempre.

Ele me trouxe de volta uma menininha que eu fui quando tinha 14 anos, linda, a vida no olhar. Ousada e apaixonada.

Meu passado me incomodou, gritou com meu silencio, exigiu dignidade, desarrumou tudo.
E eu pensando, me justificando e sofrendo a cada justificativa. A menina nunca se justificou.
Na verdade eu queria q ele me dissesse, que me convencesse q eu não me tornei mais uma dessas pessoas. Dessas pessoas que não valem à pena. Ele não me disse. Me fez rir, chorar, gozar... Mas, não me disse.

Ha segundos de ele me deixar, percebi. Eu não podia esperar q ele me dissesse, porque no fundo eu achava q tinha me tornado e nada q meu passado trouxesse poderia me dissuadir disso.

Ele sorriu e me beijou ao sair, mas pela janela eu vi, a menina não fora com ele. Antes de gritar para ele voltar e buscá-la entendi. Ela não poderia ir, ela ainda mora em mim e que é com sentimentos do presente que eu amo o meu passado.

Um estranho pedido


Destrua-me.
faça-me sentir medo, duvidas, receios...
Tire-me do meu ponto de equilíbrio, de conforto
Perturbe-me...

Emburre-me pro abismo
Retire o melhor de mim...

Eu não quero essa coisa morna, lenta, morta.

Ilheús-Ba 2007

Arrastada pela correnteza como um tronco retorcido
A mercê de tudo que a vida quer
Meu coração bate dolorido, machucado
Batendo porque sabe que é assim que tem que ser
Vou vivendo
Escondendo minhas mazelas
Em caixinhas de fantasia e omissão


E sorrindo pra avisar a vida
Que por mais feia que ela se apresente a mim
Sou eu quem decide
E eu decido sorrir sempre
Ainda que em meio a lágrimas
Isso é a vida de um mutante em forma ou deforma ção.
Sou do tipo de gente que se afoga : Em sonhos, desejos, anceios, buscas... Ai me deparo com os estranhos olhares das "múmias paralíticas" que nada sentem, nada fazem