Estou com uma tristeza doce.

Entrar em contato com isso parece que rompeu algo dentro de mim, me tirou de um lugar onde eu me fingia de feliz e satisfeita e me colocou nua diante do espelho.

A disparidade entre o que eu quero e o que eu tenho é grande, e a melhor forma que eu encontrei de lidar com isso foi me convencendo que eu não quero.

Escrito no tempo em que estava bem mais próxima da loucura . Quando eu vegetava em Ilhéus.

O que pode ajudar a preencher uma mente e um coração vazio?
Tirei de mim aquilo que sustentava minha pouca sanidade.
Desisti. Abri mão do sentimento por não suportar mais o sofrimento, só que agora o que resta são imensos vazios, preto e branco... Sem cor... Sem graça... Sem razão de ser.
Sei que faço o melhor que posso e sei também que tomei a decisão correta, só não sei como vou administrar a desertificação do meu coração.
Só há dois tipos de pessoas no mundo capazes de amar: As fortemente loucas e as loucamente fortes.

Quero ser beijada de uma forma tão intensa ...
       que me faça perder a respiração por três encarnações seguidas!!!
      Tenho estado terrivelmente languida esses dias. Afogo-me em livros, encharco-me com um doce de leite com muitíssimo açúcar e até minha letra esta diferente.
      Estou infinitamente insuportável e intolerante, mas o bom disso é que ganho inspiração. Já havia me esquecido que são nos piores momentos que nascem os melhores textos.

Hoje eu me estuprei!

Hoje eu me estuprei! Violei algo em mim que eu nem sabia que existia. Algo leve, tênue, desconsiderado pelo “todo mundo”.
        

Prece

Dai-me Oh Deus, pelo amor de tua misericórdia
Serenidade e equilíbrio de espírito
Para lidar de forma humana
Com os olhares reprovadores,
Julgadores e condenadores
Dos que não me compreendem.

Pois o meu silêncio, Senhor, diz em calar
Que minha voz não é ouvida
E quando ouvida não é compreendida
Por isso tão alto eu falo
E tantas sãos as palavras que uso.

Ajuda-me Senhor a não sucumbir a ira
Que me invade diante desses olhares
E desses comentários que são soltos no ar como flechas perdidas
Mas que tem um veneno dirigido, certeiro
Que por mais que não me mate, me atinge.
E quantas são as vezes que me canso de me defender?

Responda-me Senhor, sou mesmo assim tão estranha e tão ruim?
Será minha língua tão incompreensível?
Meus caminhos são mesmo tão tortuosos assim?
Por algum acaso o veneno das flechas que me perseguem nascem de mim?

Se as respostas forem sim Senhor, me ajude
A compreender porque me construístes assim
Mas por favor, Senhor, não permita que eu queira mudar
Pois se os danos das flechas não me gastam
È com carinho que olho o reflexo do espelho.
Por fim, obrigado Senhor, pois pelo não ou pelo sim
E até pelo talvez
Sou uma estranha feliz!