Hoje eu me estuprei!

Hoje eu me estuprei! Violei algo em mim que eu nem sabia que existia. Algo leve, tênue, desconsiderado pelo “todo mundo”.
        
Eu quis com toda a força ou com muita força o ‘ter’, o poder, o ser. Aquele todo lindo e brilhante que vendem na TV, o maldito pedaço de papel pintado para o qual as pessoas vivem, morrem, vendem seus restos de alma, deixam  de ser, de sentir, trocam sua humanidade pelo poder ter, comprar, gastar.
Contudo isso minha alma não estave lá, diante de todos os objetos de desejo, diante de todos os objetos que tanto prometem me tornar sujeito, EU não estava lá.
          A menina que gosta de cores, de gostos, de cheiros, sensações gratuitas e infinitas em valor não participou do “dia do poder”, talvez porque não haja espaço para ela no mundo onde “quanto mais, melhor “porque ela é quanto melhor/melhor, quanto mais essência melhor!
         Não quero com isso desconsiderar a importância do papel pintado, por causa da merda do sistema em que estou, mas se por um lado eu estou no sistema, por outro eu não o sou e nem quero vir a ser. Eu não quero pautar minha vida na busca do papel, do papel que é pintado com cores tão sem cores, papel que não veio comigo para a aventura aterradora e nem ira para o além da loucura do viver.
         Há de se “ter” sim, é preciso! Mas quero viver, amar gozar a loucura deliciosa do poder estar por aqui e que o papel pintado só sirva-me para não morrer ou sub viver.
         E o curioso é que só descobri tudo isso no dia em que me estuprei.

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